Por que os homens batem na parede

21

Correr dói. Dói mais no quilômetro vinte. Há um momento específico na maratona em que tudo desmorona. Os corredores chamam isso de “bater na parede”. Ou apenas “transando”. O corpo fica sem glicogênio. Esses carboidratos armazenados desaparecem. O cansaço bate forte. O ritmo cai. É desagradável.

Uma nova pesquisa sugere que os homens fazem isso duas vezes mais que as mulheres.

Os dados são pesados. Oitocentos mil corredores. A Maratona de Berlim de 1995 a 2025. Muito pavimento. O estudo apareceu recentemente na revista Scientific Reports. Os pesquisadores definiram transar matematicamente. Se você correr o segundo tempo 20% mais lento que o primeiro, você fracassou. Divisão positiva. Uma confissão de má estratégia.

Os resultados foram nítidos. Os homens tinham duas vezes mais probabilidade de entrar em colapso. Não só um pouquinho. O dobro. E quanto mais rápido os homens corriam, pior ficava. Um cara com menos de três horas? Seis vezes mais probabilidade de falhar do que uma mulher igualmente rápida. Três horas é rápido para a velocidade das eliminatórias de Boston para homens. Não é rápido para as mulheres.

Isso surpreendeu os pesquisadores. Aldo Seffrin, do Brasil, foi coautor do artigo. Ele esperava que a experiência ajudasse. Ele achava que os corredores de elite do sexo masculino já teriam aprendido a andar.

“Eu esperava que a experiência e o treinamento reduzissem o diferencial”, disse Seffrin. Isso não aconteceu.

Glicogênio é combustível. Quando desaparece, o corpo muda para gordura. A queima de gordura é lenta. É uma bagunça. Requer oxigênio e paciência. Correr requer velocidade. Os dois não combinam bem. Um ritmo constante economiza glicogênio. A divisão negativa também. Isso significa correr mais devagar primeiro. Então mais rápido mais tarde. Os homens raramente fazem isso. Eles voam com a arma.

A falha no ritmo não é simplesmente um erro de iniciante.

Mas o ritmo não é a única coisa. A biologia desempenha um papel. As mulheres queimam melhor a gordura. Eles têm uma taxa de troca respiratória mais baixa. Tradução simples. As mulheres são mais eficientes no uso da gordura como energia durante exercícios constantes.

Depois, há fibras musculares. As mulheres têm mais fibras do tipo 1. Contração lenta. Construído para resistência. Resistente à fadiga. O estradiol ajuda. O hormônio preserva carboidratos. Ele gerencia a energia melhor do que a testosterona neste contexto específico. Talvez. Ainda não sabemos o suficiente.

Os dados históricos favorecem os homens. A fisiologia do exercício foi construída sobre os homens. A fisiologia feminina foi uma reflexão tardia. Temos palpites. Precisamos de fatos. A diferença de desempenho diminui nas ultramaratonas. Distâncias maiores. Menos poder explosivo. Mais resistência. As mulheres empatam.

Por que os homens transam? É uma mistura de arrogância e biologia. Ou talvez apenas a biologia usando a máscara do mau ritmo. Quem sabe. O conjunto de dados era enorme, mas a compreensão permanece superficial.

Mais pesquisas são necessárias. Especialmente nas mulheres. Podemos parar de presumir que os padrões masculinos são o padrão.

Uma melhor caracterização da fisiologia específica da mulher é o que nos permitiria descobrir o porquê.

A parede ainda está lá. Ele espera na milha 20. Ou talvez na 21. Depende da sua estratégia. Depende do seu corpo. Os dados não resolvem a dor. Isso apenas explica a queda.

Alguns irão ignorar os dados. Alguns continuarão voando desde o início. Essa é a escolha deles. A calçada não se preocupa com gênero. Só se preocupa com o tempo.

Você bate na parede quando decide que tem energia ilimitada.

Alerta de spoiler. Você não.