As abelhas não são monarquias. Pelo menos, não do tipo estrito.
Durante anos presumimos que a rainha estava sentada em seu trono enquanto todo o resto dobrava os joelhos. Parece que sim. A colônia tem um chefe. Mas um novo estudo sugere que a sala do trono é na verdade uma democracia. Ou pelo menos uma meritocracia gerida pelos soldados de infantaria.
Insect Biochemistry and Molecular publicou recentemente descobertas que invertem o roteiro. As abelhas operárias não seguem apenas ordens. Eles escolhem sua rainha.
Está no suco
O ingrediente mágico? Hormônio juvenil.
Este não é um conceito filosófico vago. É um produto químico literal. Nos insetos, esse hormônio controla o crescimento e a reprodução. Ele decide se você permanece pequeno ou enorme. A equipe de pesquisa descobriu exatamente como as abelhas o movimentam.
Quando os pesquisadores deram hormônio juvenil às abelhas operárias, algo interessante aconteceu. Os trabalhadores não o guardaram. Eles passaram para as larvas através da comida.
Quanto mais hormônio a larva consumia, maior a probabilidade de se tornar rainha.
Isso muda o mapa da sociedade das abelhas. Costumávamos pensar que a determinação da casta era um mandato de cima para baixo da geleia real equivalente às abelhas. Em vez disso, é descentralizado. Os cuidadores decidem quem sobe.
“Como todas essas mulheres compartilham o mesmo código genético, é um exemplo notável de como projetos idênticos produzem vidas totalmente diferentes.”
— Etya Amsalem Penn State entomologista e coautora do estudo
Isso não é apenas fofoca acadêmica. As abelhas polinizam nossas colheitas alimentares. Saber como produzir rainhas em massa ajuda os agricultores. Ajuda-nos a gerir as populações antes que entrem em colapso.
O tamanho é importante, mas os hormônios são mais importantes
Uma rainha é um tanque. Ela é maior. Ela vive mais. Ela cria. Um trabalhador é pequeno, estéril e de curta duração. Eles compartilham DNA. Resultados diferentes dos mesmos genes.
O mistério não era que os hormônios controlavam a separação. Nós sabíamos disso. O mistério era quem controlava a dose.
“Um único ovo feminino contém o projeto para duas vidas: uma rainha gigante em reprodução ou uma pequena operária estéril”, diz Seyed Ali Modarres.Hasani. “Precisávamos descobrir quem aciona o interruptor.”
Então a equipe conduziu o experimento. Três abelhas operárias. Um aglomerado de larvas. Doses de hormônio administradas em momentos diferentes a indivíduos diferentes. Eles rastrearam o movimento da molécula.
Quando injetaram o hormônio diretamente nas larvas, a colônia se rebelou. Os trabalhadores mataram a maioria deles. Manipulação direta? Ruim. Rejeição social.
Quando eles trataram os trabalhadores? Os trabalhadores processaram o hormônio. Misturei em alimentos feitos de néctar e pólen. As larvas comeram. Eles engordaram. Elas se tornaram rainhas.
O tempo é tudo. A equipe de Hasani descobriu que as larvas só são sensíveis durante o sétimo e oitavo dias de desenvolvimento. Sentiu falta daquela janela? Você consegue um trabalhador.
A programação de verão
Este mecanismo se adapta perfeitamente ao calendário das abelhas.
As colônias do início do verão são pequenas. Sem reprodução. Os trabalhadores se concentram em alimentar os jovens. Mas à medida que o verão esquenta, as coisas mudam. Colônias mais antigas desencadeiam uma cascata hormonal nas operárias. Seus ovários são ativados. Os níveis de hormônio juvenil aumentam.
Os trabalhadores começam a alimentar os bebês com a pasta rica em hormônios.
“Cada colônia produz muitas novas rainhas no final da temporada. Elas acasalam, hibernam e cada uma começa um novo ninho na primavera. Fazer essas rainhas é o propósito final da colônia.”
Faz sentido. Você não cria rainhas em maio. Você os cria em agosto, quando o sol se põe cedo.
Não se trata apenas de salvar abelhas. Trata-se de compreender sociedades complexas. Como é que milhares de indivíduos chegam a acordo sobre uma estrutura sem que um líder a dite? Sinais químicos. Tempo. Escolha coletiva.
Talvez precisemos repensar a forma como vemos a dinâmica da colmeia. E talvez nós mesmos.
