O pânico se instala às 7h. Não é do tipo gentil.
Colegas de quarto batendo portas. Telefones tocando sirenes. Pessoas lutando por carteiras e passaportes, deixando roupas para trás. No sul da Califórnia, 40 mil residentes são atualmente orientados a sair. Agora.
Por que? Um tanque químico está morrendo.
Localizado em uma instalação de plásticos aeroespaciais da GKN em Garden Grove. Ele contém entre 6.00 a 7.000 galões de metacrilato de metila. Coisas que eles usam para fazer peças de plástico. Aviões comerciais. Jatos militares. O que quer que faça seu barco flutuar. Na quinta-feira a coisa superaqueceu. Começou a desabafar. Os vapores sobem direto.
A Autoridade de Bombeiros do Condado de Orange está presa no meio. Eles não conseguem parar o vazamento. Eles só podem esperar. E esperança.
O chefe dos bombeiros Craig Covey não mede palavras. As atualizações de sexta-feira mostram que ele está cansado. Com medo até. Ele diz que o tanque vai falhar. Ninguém sabe quando. Pode simplesmente rachar. Derrame na sujeira. Ou pode explodir. Cenário de grande boom.
“Estamos fazendo o nosso melhor”, disse ele. Tentando adivinhar quando. Ou como pará-lo.
Então eles expandiram a zona de evacuação. Atingiu cinco cidades agora. Cypress, Stanton, Anaheim, Buena Park, Westminster. Os moradores de Garden Grove desapareceram desde quinta-feira. Na sexta-feira, o círculo ficou maior.
“Essa coisa vai falhar.”
Boas notícias? Por enquanto, nenhum morto. Nenhum ferimento relatado. As tripulações conseguiram manter a temperatura estável. Ganhando tempo. Essa é toda a estratégia. Parando.
Mas o metacrilato de metila não é apenas uma má notícia se explodir. É tóxico. A oficial de saúde do condado, Dra. Regina Chinsio-Kwon, explicou que se esquentar, libera vapor. Essas coisas bagunçam você. Problemas respiratórios. Olhos ardentes. Náusea. Dores de cabeça que não param.
Para manter o produto químico longe dos bueiros, dos riachos ou do oceano próximo? Sacos de areia. Apenas enormes pilhas de barreiras de areia.
Garden Grove é complicado. Fica a 38 milhas ao sul do centro de Los Angeles. A menos de dois quilômetros da Disneylândia. Os parques continuam abertos. A vida normal continua ao lado enquanto metade do condado foge. Também é conhecido pelas comunidades vietnamitas. Alguns dos maiores dos EUA.
Danny Pham estava dormindo. Ele havia trabalhado até tarde em um restaurante vietnamita na noite anterior. Não vi a notícia. Acordei com batidas.
Ele morava a alguns quarteirões de distância. “Chocante” foi sua palavra. Nunca pensei que isso pudesse acontecer aqui. Agarrou sua carteira. Passaporte. Corri para o restaurante de um amigo em outra cidade. Sexta-feira à tarde? Ele ainda está vagando. Nenhuma casa. Apenas as roupas do corpo. Preocupar-se com isso pode durar dias.
Depois, há Kim Yen. Um aposentado. Ela ouviu o alerta do telefone na quinta-feira. A apenas dois quarteirões do vazamento. Ela dirigiu até a casa da filha em Seal Beach. Mas sua mente não estava no caminho. Estava nos vizinhos dela. Pessoas mais velhas. Eles podem não ler inglês. Eles podem perder o alerta.
“Eles são uma família”, diz ela. “Espero que eles ouçam.”
Ela voltou na sexta de manhã. Só para conseguir remédios e documentos. O bairro estava vazio. Uma cidade fantasma. Mas ela viu a polícia. Policiais batendo em todas as portas. Verificando. Tendo certeza.
“Isso é assustador.”
A prefeita Stephanie Klopfenstein sabe que é assustador. É por isso que as ordens existem. Estações de TV locais intervieram. Atualizações traduzidas. Pedindo a todos que levem isso a sério.
Equipes especializadas em materiais perigosos estão examinando o tanque restante. O primeiro tanque danificado? Neutralizado. Bom trabalho aí. O segundo? O centro da crise.
Nenhuma atualização ainda. A GKN Aerospace diz que prioriza a segurança. Funcionários, socorristas, a comunidade. Eles prometem atualizações. Quando eles os tiverem.
Até então o tanque fica parado. Os vapores sobem. Os sacos de areia esperam.
Sabemos que irá falhar. Só não quando.
